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Na sua obra A Mensagem, Fernando Pessoa falava de um Portugal que haveria de se
regenerar e retomar os grandes feitos do passado. Falava do país como a

Fernando Pessoa

cabeça da Europa

e aludia a D. Sebastião que haveria de regres- sar para salvar o país. Hoje será difícil acreditar no seu regresso, mas parece que talvez pudesse estar certo o poeta na sua visão de grandeza futura para o país. No entanto, certamente não adivinharia então que essa “cabeça” seria digital.

Porque o sucesso em Digital depende sobretudo de pessoas com as competências adequadas, infraestrutura de qualidade e um ambiente regulatório responsável. Portugal tem este ambiente.
Por outro lado, eventos como a WebSummit mostram que o país – e neste caso concretamente a capital portuguesa – dá resposta ao seu posicionamento de tecnologia de ponta.

A digitalização possui características que fazem dela uma verdadeira revolução tecnológica: é global – na verdade tem até o efeito de aproximar ainda mais sociedades e economias –, o seu impacto é transversal a todos os setores económicos e há razões para acreditar que a sua dimensão e relevância irão aumentar muito nos próximos tempos.

Duas grandes forças serão responsáveis por esse crescimento: por um lado, cada vez mais elementos do mundo offline passam a ser instanciados online, aumentando a proporção de momentos “digitais” no nosso dia-a-dia com o desenvolvimento de tecnologias como a Internet of Things; por outro lado, a capacidade de gerar valor a partir destes objetos e informação vai expandir-se, o que aumenta a sua atratividade para consumidores e empresas, e em consequência o seu impacto social e económico.

A Cloud, inteligência artificial, o aumento da capacidade computacional, e algoritmos de construção de significado a partir de informação irão ser os enablers do desbloqueio desse valor.

Esta revolução tecnológica é, no entanto, muito diferente de outras que lhe antecederam. Ao contrário de, por exemplo, a revolução tecnológica do Séc. XVIII, a escala e tamanho de mercado interno não tem uma relevância tão significante na capacidade de sucesso de determinada economia.

O Digital está assente em componentes cujos custos são cada vez mais reduzidos, diminuindo a necessidade de escala para gerar competitividade. Por outro lado, tem reduzido as barreiras comerciais e aproximado os mercados, permitindo atingir uma população supranacional, nivelando assim as oportunidades originadas a partir da dimensão dos mercados. Estes fenómenos diminuíram assim o investimento necessário para criar uma empresa e os custos associados à gestão de um canal com este tipo de alcance.

As empresas portuguesas têm já exemplos do que podem alcançar: empresas como a Farfetch e a Outsystems são hoje líderes nos seus mercados e empresas de renome internacional. Ambas estas empresas cedo se aperceberam das possibilidades do Digital e focaram os seus esforços no desenvolvimento de modelos de negócio totalmente assentes nesse meio. A Farfetch, uma plataforma online de artigos de luxo criada em 2007, alavancou no Digital para ter acesso a um mercado global.

Em setembro de 2018, realizou um IPO de su- cesso. Por outro lado, a Outsystems tem um modelo de negócio de suporte às atividades digitais das empresas com soluções de software “low code”, negócio este que se encontra em grande crescimento à medida
que a transformação digital vai progredindo. Retalho – consumidores desafiam as fronteiras entre o online e o offline abrindo oportunidades para abordagens integradas.

O canal digital disponibiliza aos consumidores e empresas novas possibilidades de encontro, mais personalizado e com maior simplicidade. Valorizando essa experiência, os portugueses têm vindo a despender uma maior porção do seu processo de compra online.
Hoje, por exemplo, uma em cada duas pessoas com acesso à Internet em Portugal declara utilizar frequentemente a Internet para comparar preços entre produtos.

Esta alteração comportamental reflete-se no crescimento do e-commerce, estimado em 14% ao ano entre 2013 e 2017, ascendendo aos €2 mil milhões em 2017. Entre as principais categorias compradas online estão os setores da Alimentação e Bebidas, de aparelhos eletrónicos e do Vestuário e Calçado, categorias que representam quase 50% do valor de e-commerce em Portugal.

Ainda assim, a frequência com que os portugueses realizam compras online é, em média, ainda muito baixa – é comparável, por exemplo, à frequência com que procuram bens imobiliários e muito inferior à frequência da utilização de home-banking, que utilizam já numa base semanal.

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